Depois de 18 dias de julgamento, a Justiça Federal condenou no sábado (22/10) duas pessoas pelo assassinato do auditor-fiscal José Antonio Sevilha de Souza, morto em 2005 na cidade de Maringá/PR, onde atuava.  Sevilha foi vítima de uma emboscada e baleado após aplicar uma multa milionária a uma importadora de brinquedos que estava sonegando os impostos devidos nas operações de comércio exterior. 

Depois de ouvidas as testemunhas e apresentadas as provas, os sete jurados decidiram pela condenação do empresário Marcos Oliveras Gottlieb, proprietário da empresa  (o mandante) por homicídio duplamente qualificado, com uma pena de 30 anos de prisão em regime fechado. Fernando Ranae da Costa (o atirador) recebeu a mesma sentença, com um adicional de 2 anos e 8 meses por falsidade ideológica. Um terceiro acusado, que teria apresentado Gottlieb ao atirador, foi considerado inocente.

Desde o início das investigações, a Receita Federal se posicionou cobrando uma apuração rápida e a condenação dos responsáveis. Para a superintendente da Receita Federal na 9ª Região Fiscal (PR/SC), Cláudia Thomaz esse “É o desfecho de uma luta de 17 anos que vínhamos travando para fazer justiça à memória do nosso colega Sevilha, vítima de um crime abjeto e covarde enquanto cumpria a missão da Receita Federal de proteger a indústria nacional e combater a sonegação de impostos. A justiça foi feita e demonstrou-se que o Estado brasileiro não vai se acovardar perante a atuação de criminosos”, afirmou a auditora-fiscal. 

Foi o julgamento mais longo da história da Justiça Federal, que tem a competência para julgamento de homicídios em casos envolvendo servidores federais no exercício da função. Na Justiça Estadual há registros de casos em que o Tribunal do Júri ficou reunido mais tempo.

 

Entenda o caso: 

O auditor-fiscal da Receita Federal José Antonio Sevilha de Souza foi assassinado em Maringá, no dia 29 de setembro de 2005, há 17 anos. Ao deixar a casa de sua mãe para buscar sua esposa que estava no hospital, após cirurgia, por volta das 20h, Sevilha foi alvejado por cinco tiros quando parou o carro para verificar um pneu murcho, esvaziado pelo bando.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontaram que o crime foi uma represália ao trabalho que o auditor-fiscal desempenhava como Chefe da Seção de Controle Aduaneiro da Receita Federal em Maringá. 

Além dos três réus outras duas pessoas também foram indiciadas pelo crime: Wilson Rodrigues da Silva, nunca encontrado, e o ex-policial civil Jorge Luiz Talarico, morto em 2018 durante cumprimento de pena por outro crime em presídio paulista.

Antonio Sevilha tinha 45 anos, deixou mulher e três filhos.